Educação, arte, saúde & Cia

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Arteterapia e humanização em saúde: uma prática no tratamento de idosos com vestibulopatias

Art Therapy and humanization in health care: a clinical practice in the treatment of elderly people with vestibular disorders


Resumo
Este artigo apresenta um exercício analítico sobre o tema "Arteterapia e humanização em saúde" enquanto uma prática efetiva no tratamento de idosos com vestibulopatias. Na "Introdução", é destacado o conceito de arteterapia e suas possibilidades nos contextos terapêuticos. Em seguida, o artigo se estrutura em quatro itens. No primeiro, denominado "Trajetória da Arteterapia", é feito um breve resgate do caminho percorrido pela relação entre arte e saúde, ao longo do tempo. Na sequência, o item "Arteterapia no Brasil" sistematiza as principais experiências desenvolvidas, no país, sob responsabilidade dos médicos psiquiatras Osório César e Nise da Silveira. Na continuidade, o item "Arteterapia e Humanização em Saúde" sintetiza um conjunto de reflexões realizadas sobre as novas proposições para efetivação de práticas de humanização em saúde e os possíveis vínculos com os objetivos da arteterapia. O item final " Arteterapia no tratamento de idosos com vestibulopatias" reflete sobre as possibilidades da utilização da arteterapia como uma das práticas a ser utilizada no tratamento desses pacientes. O artigo conclui que a arteterapia somada as demais práticas clínicas, de avaliação e de reabilitação, concorre para ampliar o diagnóstico do paciente e para a adoção de medidas mais adequadas de intervenção.     
Palavras-chave:
Arteterapia - Humanização em Saúde - Saúde do Idoso - Vestibulopatias


Introdução
A expressão arteterapia vem sendo amplamente utilizada, tanto nos meios acadêmicos, quanto nos meios de comunicação. Contudo, o seu conteúdo nem sempre assume o mesmo significado, podendo, algumas vezes, gerar uma conotação diminutiva ou, até mesmo, uma visão preconceituosa. Essa situação nos leva a questionar: o que é arteterapia?

A American Art Therapy Association AATA (1993), instituição norte-americana fundada em finais da década de 1960, com a finalidade de nortear e regulamentar as atividades da arteterapia, assim a descreve:  

[...] oportunidade de exploração de problemas e de potencialidades pessoais por meio da expressão verbal e não verbal e do desenvolvimento dos recursos físicos, cognitivos e emocionais, bem como a aprendizagem de habilidades, por meio de experiências terapêuticas com linguagens artísticas variadas. Ainda que as formas visuais de expressão tenham sido básicas nas sociedades desde que existe história registrada, a Arteterapia por meio de expressões artísticas reconhece tanto os processos artísticos como as formas, os conteúdos e as associações, como reflexos de desenvolvimento, habilidades, personalidade, interesses e preocupações do paciente. O uso da arte como terapia implica que o processo criativo pode ser um meio tanto de reconciliar conflitos emocionais, como de facilitar a autopercepção e o desenvolvimento pessoal1.

Sob a perspectiva da AATA, a arteterapia utiliza diversos recursos e linguagens artísticas (música, pintura, escultura, dança, literatura etc.) como prática terapêutica. Por meio de experiências concretas, deve permitir ao sujeito participante entrar em contato com seu universo simbólico e imaginário e, a partir, desse contato, permitir-lhe elaborar e expressar o seu “acervo” interno de emoções.

Na mesma direção da AATA, Barreto e Cunha (2009, p.23) consideram arteterapia:

[...] uma prática terapêutica que se utiliza de diferentes recursos expressivos, presentes nas diversas linguagens da arte, facilitando aos participantes, um contato com seu próprio universo imaginário e simbólico, possibilitando, dessa forma, novas descobertas e o auto conhecimento2.
                                                                                                            
A utilização de diferentes recursos expressivos configura o “produto artístico” como um símbolo carregado de sentimentos, bem como  a concretização de pensamentos e imagens internas3 que podem se tornar conhecidas por meio de sua expressão.

A utilização da arteterapia se verifica em diferentes contextos terapêuticos e em diferentes áreas do conhecimento, sendo mais comum na Psicologia e na Medicina, especialmente, no campo da Psiquiatria. Trata-se, portanto, de uma prática terapêutica que comporta diferentes linhas teóricas e áreas de atuação4,5,6. A sua utilização tem possibilitado diferentes formas de acesso à saúde física e mental, ao bem estar, à reintegração e inclusão social dos pacientes e à melhoria de sua qualidade de vida.

As atividades desenvolvidas em oficinas arteterapêuticas constituem instrumentos que possibilitam a prevenção e o tratamento de doenças, a percepção de emoções, o resgate da autoestima, o estabelecimento de relações interpessoais e o amadurecimento harmônico e profundo de seus participantes7.

Nas oficinas arteterapêuticas, o pensamento criador ocorre sem discriminação de gênero, idade, escolaridade e histórico de vida. Considera-se que todo participante é capaz de criar e reinventar o novo.

É importante esclarecer que a novidade, por si só, não torna uma idéia criativa. Um ato pode ser considerado criativo sem ser totalmente novo, mas sim, porque responde adequadamente a uma nova situação, a um novo estímulo. Assim, desde que uma pessoa faz, inventa ou pensa algo que é novo para si, pode-se dizer que realizou um ato criador8. O que qualifica um ato de novo e criativo é forma como o indivíduo utiliza aquilo que inventa8.

Utilizando as várias linguagens artísticas, os pacientes poderão expressar pensamentos, emoções e sentimentos que, por vezes, influenciam negativamente em seu tratamento, recuperação e conquista de bem estar e de melhoria da qualidade de vida.  O exercício cerebral implícito à ação de criar, utilizando as várias possibilidades de linguagens, promove a melhoria das condições física, afetiva e mental do indivíduo, levando-o à obtenção da harmonia do todo3,8.


Trajetória da arteterapia

As primeiras pesquisas sobre a relação entre saúde e arte ocorreram na área da Psiquiatria. Em 1876, estudos sobre o tema foram publicados pelo médico psiquiatra Max Simon. Suas pesquisas sobre expressões artísticas de pacientes com distúrbios mentais, levaram-no a classificar um conjunto de doenças1.

Em 1888, o advogado criminalista Lombroso analisou desenhos de doentes mentais e, a partir deles, classificou traços psicopatológicos de pacientes com distúrbios psicóticos. Outros autores europeus, como Morselli, em 1894, Júlio Dantas, em 1900, e Fursac, em 1906, também realizaram pesquisas sobre produções artísticas de doentes psiquiátricos1.  

No final do século XIX e, início do século XX, Ferri, discípulo de Lombroso, Charcot e Richet, também se dedicou ao estudo da arte produzida por pacientes com doenças mentais1. Em 1906, Mohr analisou e comparou trabalhos produzidos por indivíduos considerados “normais”; por portadores de doenças psiquiátricas e por artistas, considerando nelas as manifestações de seus históricos de vida, de suas angústias e de seus conflitos pessoais1.

Mohr sugeriu a aplicação de desenhos como testes destinados a estudar diferentes aspectos da personalidade humana. Seus estudos influenciaram testes psicológicos como Murray - TAT, Szondi e Rorschach e testes motores e de inteligência, como Binet-Simon, Bender e Goodenough1.

Em 1910, Phinzhon realizou e publicou estudo comparativo entre desenhos produzidos por doentes mentais e integrantes das escolas de arte: impressionista, expressionista, surrealista e primitivista. Anos mais tarde, em 1922, o autor analisou manifestações patológicas e patologias em expressões artísticas de indivíduos considerados “normais”1.  

Entre as décadas de 1920 e 1930, a arte passou a ser cada vez mais utilizada como recurso no processo psicoterapêutico, predominando as explicações baseadas nas teorias de Freud ou Jung e se diversificando em relação às linguagens e técnicas por eles empregadas1.
           
Embora se considerasse leigo e limitado no entendimento da arte, Freud admitia sua admiração pela arte, especialmente, pelas esculturas. Sob a ótica da teoria psicanalítica, recém criada por ele, analisou as obras de alguns artistas, motivado a pesquisar a subjetividade tanto dos autores, quanto de seus apreciadores, com o propósito de entender a relação entre o efeito (a emoção) provocado pelas obras de arte sobre o sujeito1.

Mesmo nunca tendo usado a arte no processo terapêutico, os fundamentos da arteterapia já estavam definidos por Freud. Foi a partir de seus estudos, que a arte começa a ser utilizada como mediadora nos processos terapêuticos. O autor considerava a criação artística uma forma de comunicação do inconsciente que se manifestaria por meio de imagens que fugiriam do controle do superego (censura da mente), revelando-se com maior fluência e naturalidade que as palavras, além de assumirem uma função catártica e sublimadora de instintos sexuais, quando fossem liberadas1,3.

Se pela ótica psicanalítica, a arte é considerada uma linguagem simbólica, catártica e livre da censura do consciente o apreciador da obra de um artista, enquanto parte de um público, seria atingido por uma comunicação no plano da emoção1,3.

Em meados da década de 1920, Jung utiliza a linguagem artística ou expressiva em tratamentos psicoterápicos. Ao analisar diversas civilizações e culturas, o autor observou os seus símbolos culturais com o propósito de identificar os seus aspectos comuns. Acreditava que a criatividade era uma função psíquica natural e não contribuía para sublimação dos instintos sexuais, conforme pensava Freud1.
           
Nas sessões de análises, realizadas com os pacientes, Jung lhes propunha a realização de desenhos livres e espontâneos de imagens e de sonhos referentes aos seus sentimentos e conflitos. As imagens desenhadas pelos pacientes constituíam uma representação simbólica do inconsciente individual e subjetivo de cada um1,3 e, ao mesmo tempo, complementavam a linguagem verbal e possibilitavam ao paciente reorganizar seus sentimentos mais profundos e seu caos interior1,3. Assim, a atividade plástica - acompanhada pela interpretação e compreensão do trabalho emocional - se constituiria em  uma função curadora para os pacientes1,3.

Nos anos de 1940, Margareth Naumburg sistematiza a arteterapia como processo terapêutico1. Nas décadas seguintes, as linhas humanistas sistêmica e construtivista, as teorias da Psicologia, como o Psicodrama de Moreno e, a Gestalt, de Perls, tem direcionado e embasado teoricamente a arteterapia1.

Em 1973, Janie Rhyne utilizou recursos e materiais artísticos diversos para investigar sentimentos, muitas vezes obscuros, de seus pacientes1. Estabelece uma conexão entre a Psicologia e os pressupostos básicos da Gestalt - terapia para estudar as relações entre o objeto (sua forma) e a percepção do observador (seu insight), ou seja, o processo repentino em que ocorre a percepção entre a figura e o fundo em que se localiza. Ao estabelecer relações com o objeto observado, o indivíduo não se constituía em um mero receptor passivo das características de sua forma.

Rhyne considerava o aumento da percepção um traço positivo no desenvolvimento das potencialidades humanas e da autonomia na vida. Em sua metodologia de investigação, promovia o desenvolvimento de trabalhos individuais e grupais em diferentes faixas etárias e etnias. A utilização desses materiais deveria possibilitar redescobertas e invocar o desenvolvimento de potencialidades e qualidades pessoais de cada indivíduo, que passa a se conhecer a partir de seus insigths, reconhecendo seu passado e o trazendo ao presente, integrando ambos na projeção de seu futuro 1.

Ao longo do tempo, a aplicação individual e/ou coletiva da arteterapia se consolida como método terapêutico eficaz em instituições de saúde, consultórios e clínicas, bem como em terapias breves ou de longa duração destinadas ao atendimento de famílias, casais, crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

Arteterapia no Brasil

Vários autores utilizaram a arte aliada à terapia, no Brasil. Entre eles, os médicos psiquiatras: Osório César, de abordagem freudiana e, Nise da Silveira, junguiana.
           
Osório César (1895-1980) iniciou seus estudos sobre alienação e arte, em 1925, ainda estudante interno do Hospital Juqueri, em Franco da Rocha, no estado de São Paulo, onde por 40 anos se dedicou a pesquisar e documentar a expressão artística de pacientes mentais9. Criou a Escola Livre de Artes Plásticas, no Hospital, e publicou seu primeiro trabalho: “A Arte primitiva nos alienados”. Logo, após, publicou “Contribuições para o estudo místico dos alienados” e, mais dois casos de grafia com estereótipos gráficos de simbolismo, em 1927. Seu trabalho mais importante - “A expressão artística dos alienados” - foi publicado em 1929.

Em 1948, organizou uma primeira exposição de trabalhos artísticos de pacientes mentais, no Museu de Arte do Hospital. No ano seguinte, foi premiado pelo trabalho “Misticismo e Loucura” e, em 1950, participou do Congresso Internacional de Psiquiatria, em Paris, apresentando obras de seus pacientes, que também incluíam o seu reconhecimento e contribuição ao estudo da arte. É considerado o precursor da análise da expressão artística psicopatológica dos pacientes com doenças mentais, no Brasil, tendo sido referenciado na obra L’art psycopatologique, de Robert Volmat, em 19561.

Em 1946, a psiquiatra Nise da Silveira apresentou um trabalho inovador no Brasil, em que demonstrou como a atividade artística pode ser terapêutica. A médica pesquisou formas de compreensão do universo mental de pacientes e criou oficinas de terapia do Hospital Psiquiátrico “Dom Pedro II”, no Rio de Janeiro. Considerava a arte um instrumento de exteriorização de conteúdos inconscientes que iria colaborar no tratamento dos internos, oportunizando-lhes melhor qualidade de vida, respeito e dignidade 3, 10.

A proposta de Nise da Silveira consistia na realização de trabalhos com desenho, pintura em argila, dança, música e dramatizações para dar forma plástica e expressiva às emoções contidas no psiquismo. Buscava identificar problemas existentes entre o psiquismo e a moral social introjetada pelos indivíduos, estabelecendo analogia entre as obras desses pacientes–artistas e a mitologia, à luz da teoria junguiana3, 10.

Em 1981, a psiquiatra publicou a obra “Imagens do Inconsciente” em que descreve seu trabalho, participando ainda de um filme documentário em que explica a teoria, o método e a didática que embasavam o atendimento de seus pacientes, destacando a ética, o respeito e o cuidado com o ser humano e sua inserção nos aspectos social, cultural e econômico da sociedade1. Fundou o Museu de Imagens do Inconsciente, de reconhecimento internacional e único acervo no gênero existente, no Brasil.


Arteterapia e humanização em saúde

Muitas vezes, o termo humanização em saúde é empregado como se houvesse um único e claro significado11. Trata-se na verdade de uma expressão polissêmica, posto que o seu conteúdo admite múltiplas interpretações, dando sustentação a diferentes práticas em saúde12,13.

Independente da conotação que se lhe atribua, a expressão se opõe à lógica cartesiana que admite a possibilidade do indivíduo ser dividido entre “humano” e “não-humano”, pressupondo uma nova abordagem do “humano”14.

O novo paradigma preconiza relações mais humanas no ambiente hospitalar, valorização da subjetividade do paciente, contato afetivo entre profissionais e pacientes e utilização de métodos e técnicas que permitam a ambos dar um novo significado à vida, ao adoecer e à morte, bem como priorizar o saudável em todo o contexto da hospitalização3. Trata-se, na verdade, de uma abordagem que privilegia a ética entre profissionais e pacientes a partir do estabelecimento do contato, da abertura e do acolhimento ao outro11. Uma ética ancorada no princípio da linguagem e da ação comunicativa15.

Esse contato estreito entre o profissional e os pacientes implica saber ouvir. Um ato que vai além do saber escutar. Pressupõe saber compartilhar emoções subjacentes ao que está sendo dito. Inclui a compreensão não apenas das frases, mas da entonação e velocidade das palavras; da mímica; dos gestos e do olhar16. Inclui inclusive a compreensão do não verbal e dos silêncios presentes no processo de comunicação16.

Sob essa perspectiva, a arteterapia se articula aos princípios de humanização em saúde, ao considerar que a sua proposição maior é a promoção da saúde mediante o resgate do diálogo intersubjetivo e da interlocução entre profissional e paciente, revelados por meio de expressões artísticas.

É importante destacar que esse diálogo que não se limita ao levantamento situacional, que constitui o primeiro e importante passo na relação entre profissional e paciente. Trata-se de um diálogo que não se reduz à fala ou conversação, mas em uma atitude para com o outro11. Um diálogo que exige, sobretudo, atitudes de abertura e receptividade do profissional em relação ao paciente, que deve ser considerado diferente, heterogêneo e singular 17.

A viabilização dessa proximidade entre profissional e paciente supõe a democratização das relações sociais que envolvem o atendimento, a melhoria do processo de comunicação e o reconhecimento das expectativas de ambos, ou seja, princípios essenciais às políticas e práticas relacionadas à humanização em saúde15.


Arteterapia no tratamento de idosos com vestibulopatias

Independente de seu histórico de vida, de sua situação econômica, credo, raça e cor,  os pacientes idosos com vestibulopatias são seres humanos singulares e, portanto, devem ser tratados como seres únicos, dotados de anseios, necessidades, sonhos, dores, queixas e experiências de vida diferenciadas e, não, como meros números de um prontuário.

Nesse sentido, as práticas de arteterapia, sob a égide das diretrizes da humanização em saúde, envolvem atitudes de acolhimento, respeito, envolvimento, ética e apoio social aos idosos vestibulopatas. A sua participação em oficinas de arteterapia permite aos profissionais estarem sensíveis e abertos para acolhê-los como indivíduos que possuem voz, fragilidades e vulnerabilidades manifestadas por meio dos trabalhos que desenvolvem nas oficinas.

A arteterapia constitui uma possibilidade desses pacientes entrar em contato com inúmeras técnicas corporais, linguagens plásticas e artísticas que, ao descobri-las e experimentá-las, esses pacientes poderão identificar formas criativas de conviver com a sua condição biopsíquica e social. Além disso, poderão elevar sua autoestima; melhorar suas relações interpessoais e, em decorrência, sentir-se motivado para a busca da melhoria significativa de seu bem estar e sua qualidade de vida18.

Assim, a proposta de utilização da arteterapia como um recurso para a viabilização dos princípios da humanização em saúde propicia aos idosos vestibulopatas condições de expressar o seu “acervo interno” o qual, muitas vezes, não se manifesta pela linguagem verbal. Em decorrência, permiti-lhes vivenciar novas formas de ser e de estar diante de situações com que se deparam no cotidiano, ampliando o seu autoconhecimento e as possibilidades de lidar com as limitações impostas por sua condição de paciente. Permiti-lhes ainda assumir uma atitude proativa em relação à busca de um novo padrão de saúde, de bem estar e de qualidade de vida.


Considerações Finais

Em articulação aos pressupostos da humanização em saúde, são inúmeras as possibilidades da arteterapia de viabilizar a manifestação de emoções, sentimentos e pensamentos que poderão estar influenciando na recuperação da saúde ou no tratamento dos pacientes.

Os produtos obtidos por meio do emprego de inúmeras linguagens artísticas poderá fornecer aos profissionais um conjunto de informações para a obtenção de um diagnóstico mais amplo e profundo dos pacientes. 

No caso específico de idosos vestibulopatas, as atividades desenvolvidas em oficinas arteterapêuticas lhes permitem entrar em contato com seus pares, trocar experiências, interagir durante a realização das atividades o que certamente concorre para o resgate e/ou aumento de sua autoestima, formação de vínculos sociais, além de constituir uma oportunidade efetiva para o aumento do autoconhecimento e das oportunidades de reintegração e inclusão social.

A arteterapia somada as demais práticas clínicas, de avaliação e de reabilitação concorre para ampliar o diagnóstico do paciente e para a adoção de medidas mais adequadas de intervenção.     


Abstract
This article presents an analytical exercise on the theme of “Art Therapy and humanization in health care” as an effective experience in the treatment of elderly people with vestibular disorders. In the “Introduction”, the concept of art therapy and its potentialities in therapeutic contexts are emphasized. After that, the article encompasses four items. In the first one, labeled as “The History Art Therapy”, there is a brief mapping out of the route taken by the relation between art and health as time goes by.  In the sequence, the item “Art Therapy in Brazil” systemizes the main experiences developed in the country, under the responsibility of psychiatrists Osório César and Nise da Silveira. Afterwards, the item “Art Therapy and humanization in health care” summarizes a set of reflections on new proposals to the accomplishment of practices related to humanization in health care and its possible bindings with the aims of art therapy. The final item, entitled “Art therapy in the treatment of elderly people with vestibular disorders” , ponders over the possible applications of art therapy as one of the practices to be used in the treatment of those patients. The article draws the conclusion that art therapy, added to the other clinical practices of assessment and rehabilitation, cooperate to increasing the diagnosis of patients as well as to the adoption of more appropriate intervention measures.

Key Words: Art Therapy - Humanization in Health Care – Elderly People’s Health - Vestibular Disorders


Referências
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Jane Ribeiro Barreto1
Naira Dutra Lemos 2
Maria Rita Aprile ³ 
 1 Mestranda do Programa de Mestrado Profissional em Reabilitação do Equilíbrio Corporal e Inclusão Social da Universidade Bandeirante de São Paulo - UNIBAN – Brasil.
2 Professora Mestre do Programa de Mestrado Profissional em Reabilitação do Equilíbrio Corporal e Inclusão Social da Universidade Bandeirante de São Paulo –UNIBAN - Brasil
 ³ Professora Doutora do Programa de Mestrado Profissional em Reabilitação do Equilíbrio Corporal e Inclusão Social da Universidade Bandeirante de São Paulo –UNIBAN - Brasil

Autor para correspondência:
Jane Ribeiro Barreto                  
Email: janenova@terra.com.br

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Shantala (A arte da massagem indiana para bebes e crianças de todas as idades)


Em 2010, surgiu a busca pela especialização  profissional em arteterapia e psicopedagogia, e estudos de aprofundamento sobre a importância do toque, afeto e expressividade no desenvolvimento e aprendizagem da criança.Aprimorando-se na  capacitação  contínua  em Shantala, seqüenciou a vivência na arte da massagem, como Arteterapêuta e estágiária  voluntária, no projeto desenvolvido  por Denise Gurgel na Ong Mais Vida, que abriga crianças e adolescentes.
Hoje, divulga  essa extraordinária experiência, juntamente com os conhecimentos adquiridos, em minicurso para Público diversificado, como: mães, gestantes, pais, cuidadores, estudantes,professores, arteeducadores, arteterapêutas, pedagogos, psicopedagogos, enfermeiros e profissionais da área da saúde, entre outros.
Atendendo em domicílio de forma particular, com assessoria teórico-prática, mães e outros interessados  em massagem para a qualidade de vida dos bebês.



O beijo do adulto na boca de criança

          

          É muito comum hoje em dia, presenciarmos pais dando aquele ``selinho`` em seus filhos, como um ato de afeto e carinho; esse costume tem se tornado comum na sociedade contemporânea, herança de hábitos e ritos dos povos de civilizações antigas e da interface da cultura mundial.
          A mídia visita as suas casas trazendo cenas de beijos em novelas e  programas ; o beijo está presente nas letras de  músicas,  em filmes cinematográficos, nos desenhos animados, na literatura infantil, como  nos famosos contos de fadas, em que princesas como a bela adormecida e branca de neve despertam,  quando beijadas por seus príncipes.
          Quem não se recorda da brincadeira: pêra, uva, maça salada mista, em que a fruta representava o gesto que seria dedicado à pessoa? Salada mista representava o beijo na boca.
          Crianças na idade da primeira infância, imitam comportamentos dos adultos, quando vestem roupas dos pais, se maquiam, falam ao celular de brinquedo,  reproduzindo a vida cotidiana. Brincam de ser ``gente grande´´ mas ainda estão na infância, fase da fantasia, descoberta, do faz de conta, do imaginário.Representar esses papéis, não indica que estejam prontas para uma vivência de adolescentes e adultos, antecipando precocemente fases posteriores, que chegarão no curso natural da vida.
          Os pequenos, de 6 meses a 4 anos, entram  em contato com muitas bactérias, que irão permanecer em sua boca durante toda vida, sem causar nenhum dano. Por esta razão, o organismo não produz anticorpos contra tais bactérias e os necessários para sua defesa.
          Adultos não devem beijar crianças  na boca, se alimentar na mesma colher, assoprar a comida, ou ainda recolher a chupeta, quando a mesma cair no chão,  levando-a à boca, para ``tirar as bactérias``,  e depois colocar na boca da criança, evitando assim a transmissão de Hpilori, carie, herpes, sapinhos, entre outros...  eles  ainda estão criando imunidade, não tem  a defesa orgânica que os adultos têm.
          Além da questão saúde, deve-se permanecer atentos ao comportamento, se julgarem que esse costume é natural, o diálogo com seus filhos se torna fundamental, esclarecendo que essa atitude só deverá ocorrer no seio familiar, pois, com a ingenuidade natural da criança, pode acontecer dela entender que, uma vez que seus pais a beijam na boca, pode repetir o gesto com outros de seu vínculo. Já imaginou, seu filho beijando a boca  porteiro do prédio, do carteiro que virou amigo, do  frentista conhecido do posto, ou ainda da gentil vendedora,  enquanto você faz compras?
          Parece chique, moderno, mas os pais que agem dessa forma, devem refletir e analisar os Prós e contras dessa corriqueira atitude, fazendo sua opção de continuar ou não, com tal demonstração de carinho, afinal, desejam sempre  o melhor para seus filhos.